Um pequeno pássaro azul voava por um imenso jardim - um jardim tão grande que para o pequeno pássaro era impossível o atravessar em uma única viagem. Ele já estava quase exausto, precisava urgentemente de um lugar em que pudesse descansar; precisava recuperar as suas forças para fazer uma nova tentativa. Não muito distante de onde estava, havia uma árvore alta e robusta, um local certamente muito aconchegante. Ele se preparava para o pouso, mas foi surpreendido.

A árvore, logo que o viu, fez um movimento estranho. Com um de seus galhos, atirou-se contra a pequena criatura. O pássaro deu um giro no ar, desviou por pouco, assustado. O que era aquilo? Pensou. Mas não teve muito tempo para entender o que acontecia. A árvore realizou uma nova investida. Ele girou no ar por mais uma vez, escapou ileso, ainda mais cansado. Sabia que, se aquilo continuasse, não duraria muito tempo. Voou em direção à árvore, passando com agilidade por entre as folhas e os galhos: pousou. No lugar onde estava não podia ser atingido. A árvore se sacudia ameaçadoramente. O pequeno pássaro se encolheu, tinha medo de se mover, medo de sair dali. E se fosse atingido?

Permaneceu parado por mais alguns dias, não se atrevia sequer a piscar, não movia um músculo. Era melhor não se arriscar, era mais seguro permanecer ali, a salvo. E foi o que fez.

Com o tempo, foi se tornando parte da árvore. Primeiro as pernas, depois o corpo, depois as asas, até que um certo dia não passava de dois olhinhos incrustados no tronco.
Sua opinião:
comentou em 30/11/2009 21:17
Muito bom o seu conto, uma alusão de que quando queremos ficamos obstinados demais por alguma coisa, podemos por acabar sendo parte dela.

Um abç.
comentou em 10/12/2009 08:30
verdade. concordo com o colega acima.

abçs