Ciência
Humberto
enviou
em 08/01/2011 11:23
Vaticano: desenvolvimento dos transgênicos é imperativo moral
Os transgênicos podem ter um papel fundamental no combate à fome no mundo. Essa foi a mensagem divulgada pela Pontifícia Academia das Ciências do Vaticano, no documento chamado "As plantas transgênicas para a segurança alimentar no contexto do desenvolvimento", que sintetiza as conclusões da semana de estudos sobre a importância desta tecnologia nos esforços para promover a segurança alimentar nos países pobres. Apesar de a Santa Sé deixar claro que não tem uma posição oficial sobre o tema, o co
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Os transgênicos podem ter um papel fundamental no combate à fome no mundo. Essa foi a mensagem divulgada pela Pontifícia Academia das Ciências do Vaticano, no documento chamado "As plantas transgênicas para a segurança alimentar no contexto do desenvolvimento", que sintetiza as conclusões da semana de estudos sobre a importância desta tecnologia nos esforços para promover a segurança alimentar nos países pobres. Apesar de a Santa Sé deixar claro que não tem uma posição oficial sobre o tema, o conteúdo do referido estudo traz informações contundentes.
Imperativo moral
No documento, publicado a 2 de dezembro, afirma-se que:
«Em conformidade com as recentes descobertas científicas, existe um imperativo moral de estender os benefícios desta tecnologia (os transgênicos) às populações pobres e vulneráveis que desejarem, em uma escala maior e em condições que aumentem seu nível de vida, melhorem a sua saúde e protejam o meio ambiente.» (Zenit.org, 2/12/2010)
Nesse sentido, Piero Morandini, professor e pesquisador de Biotecnologias Vegetais e Fisiologia Vegetal da Università degli Studi de Milão e um dos participantes da Semana de Estudo sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM), apresentou, em entrevista à agência Zenit (06/12/2010), os principais argumentos do estudo em favor dos transgênicos.
O pesquisador deixou claro que apesar do fato de que a Santa Sé não considera o documento a sua posição oficial, isto não lhe reduz a importância. Além disso, ele destaca o fato de que participaram da iniciativa nomes de peso da Pontifícia Academia das Ciências, como o professor Werner Arber – prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina, considerado um dos pais da engenharia genética.
Transgênicos não fazem mal nenhum
Segundo Morandini, o documento publicado pela Pontifícia Academia das Ciências baseia-se em três premissas principais:
1) os transgênicos têm sido utilizados há cerca de 15 anos, em centenas de milhões de hectares de cultivos em todo o mundo, e têm demonstrado amplos benefícios, inclusive nos países em desenvolvimento;
2) os riscos representados por métodos de modificação genética são os mesmos que os que representam as plantas convencionais; e
3) é insensato submeter os produtos transgênicos a legislações custosas e restritivas, que fazem com que seja impossível a aprovação do seu cultivo em universidades e centros de pesquisa públicos, como ocorre na Europa e em outros lugares. De acordo com ele, este último problema inviabiliza as pesquisas públicas nos países em desenvolvimento, obstaculizando o aproveitamento dos benefícios que os transgênicos podem proporcionar no combate à fome.
Acusações sem base científica, para variar
O pesquisador ressaltou também que outra grande contribuição do documento é trazer uma visão global e com clareza sobre o tema, buscando desmistificar essa tecnologia, refutar as acusações que lhe são feitas sem base científica e os diminuir os receios que resultam no risco de eliminar esse recurso tecnológico nos países em desenvolvimento, privando grandes contingentes populacionais no mundo de recursos tecnológicos que poderiam contribuir para garantir a sua segurança alimentar.
O estudo reconhece que a disponibilidade do emprego de transgênicos na agricultura não garantirá, por si só, o fim da fome. Isto porque os fatores que condenam populações inteiras a uma alimentação deficiente são, muitas vezes, mais complexos: falta de infraestrutura, instabilidade política, educação agrícola deficiente e outros. Entretanto, mesmo nestes casos, o emprego de transgênicos pode aliviar os efeitos de tais problemas conjunturais, como, por exemplo, com plantas que se autoprotegem contra parasitas (dispensando, assim, a necessidade de pesticidas).
Um arroz enriquecido
Um exemplo é o arroz Golden Rice, enriquecido com vitamina A e destinado à prevenção da cegueira e da mortalidade infantil por carência desta vitamina, em países pobres cuja dieta é baseada no grão.
Uma ressalva importante feita por Morandini é a de que, ao contrário do que se pensa, o fator que mais compromete o acesso aos transgênicos, nos países em desenvolvimento, não é o domínio de patentes por multinacionais, mas as regulamentações extremamente restritivas, que exigem, para o cultivo e a comercialização, uma enorme série de exames, classificações moleculares, provas de campo e de alimentação, que, somadas, inviabilizam as pesquisas públicas.
Para variar, grandes grupos privados acabam se beneficiando
De fato, os mitos de periculosidade ao meio ambiente e sanitária, propagados por ONGs ambientalistas, têm contribuído, decisivamente, para a promulgação de draconianas legislações antitransgênicos em diversos países. E, ao contrário do que alegam os promotores de tais iniciativas, elas acabam por favorecer, justamente, os grandes grupos privados que têm condições de atender aos exagerados requisitos para as pesquisas.
Movimento de Solidariedade Ibero-americana
Créditos: este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. II, Nº 33, de 10 de dezembro de 2010. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.
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