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em 06/07/2009 08:29
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em 03/08/2009 05:54
7 faces de uma obra gigantesca - Itaipu, 7: O colosso hidrelétrico
Comparações fantásticas: centenas de torres Eiffel, duzentos Maracanãs, 55 milhões de toneladas de terra e concreto...
Dedicado aos patriotas hondurenhos que resistem à ditadura

Quem acompanhou as obras de Itaipu de perto levava um susto com a grandiosidade de cada ação praticada pela massa humana de quase 40 mil trabalhadores ativos, que se dividiam em turnos de 11 horas intercalados por tremendas explosões.
Se fosse possível pesar toda a terra e o concreto utilizados para construir a barragem chegaríamos a um número astronômico: cerca de 55 milhões de toneladas. Numa comparação feita pelos engenheiros, essa imensidão de material seria suficiente para construir 210 estádios do tamanho do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Mais comparações incríveis foram feitas pelos técnicos. O ferro usado daria para construir 380 vezes a Torre Eiffel. A parede de concreto, segundo uma descrição, "tem dois terços da altura da Torre Eiffel, cercada por uma floresta tropical povoada de macacos, cobras e papagaios", alongando-se para ambos os lados em forma de um "U" aberto, numa extensão de 8,85 km no topo.
O volume de escavações de terra e rocha em Itaipu foi 8,5 vezes superior ao do Eurotúnel (que liga França e Inglaterra sob o Canal da Mancha). Aliás, O volume de concreto - 12,57 milhões de m³ -, foi 15 vezes maior do que o usado na construção do Eurotúnel.
Um transporte faraônico
Para dissipar o calor produzido à medida que o concreto se assentava, ele era pré-refrigerado a 6°C numa unidade especial de refrigeração. As primeiras das 18 (de um total de 20) turbinas e geradores estavam programados para começar a operar no início de 1983.
A fim de dar publicidade ao tamanho gigantesco do primeiro gerador, foram tiradas fotografias de uma orquestra sinfônica de 80 componentes sentados e tocando dentro de sua esfera, com amplo espaço para todos os músicos.
O rotor de 300 toneladas para o gerador teve de ser transportado 1.300 km, de São Paulo, onde foi construído, até o extremo-Oeste do Paraná, por meio de um transporte especial.
A carreta usada tinha 32 eixos com 256 rodas e era puxada por quatro enormes cavalos mecânicos em fila indiana, a uma velocidade de 5 km por hora.
A viagem, que levou 60 dias, havia sido planejada dois anos antes, exigindo reforçar-se 18 pontes e viadutos ao longo do trajeto. O eixo de 160 toneladas para o gerador foi construído no Japão e transportado separadamente.
Turbinas e comportas
As 20 turbinas acopladas à barragem são responsáveis por gerar a energia. A água vem descendo seu curso natural e ao passar pelas turbinas faz girar uma espécie de "catavento", gerando energia, que é transmitida por redes elétricas para uso nas cidades. As comportas se mantém normalmente fechadas, mas que em épocas de cheia, são abertas de modo a liberar água e não causar enchentes na região.
Ironicamente, Itaipu, que não causa mais enchentes na região depois da formação do lago artificial, é acusada de causar inundações no resto do País.
Itaipu, em suma, foi a última das grandes obras impostas à força pela ditadura. Com o fim do regime discricionário, os técnicos passaram a recomendar obras de menor impacto ambiental e a intensificação das pesquisas em torno de fontes alternativas de geração de energia.
Artigos anteriores:
Itaipu, 2: Jango caiu (também) por causa de Itaipu
Itaipu, 3: Usina foi apressada pela crise
Itaipu, 4: O poético adeus às Sete Quedas



