Fonte: z.about 

Em sua Cosmographie Universelle, André Thevet relata o mito do herói civilizador Maire-Monan, um grande caraíba (em outras fontes seu nome é Sumé, ou Zumé, o mesmo que os jesuítas identificaram com São Tomé), do qual ainda se conservam as pegadas numa pedra.

A remoção dessa pedra, segundo a lenda, estaria ligada à catástrofe que destruirá o mundo.

Teria São Tomé, o apóstolo de Jesus, realmente circulado pelo interior do Paraná? 

Em 1516 já se falava em sua estada na costa do Brasil. A primeira versão conhecida da presença de um discípulo de Jesus em terras americanas, aliás, veio da Nova Gazeta Alemã e se refere à viagem de um dos navios armados por dom Nuno Manuel, Cristóvão de Haro e outros - que, a 12 de outubro de 1514 aportava, já de torna-viagem, à Ilha da Madeira.

O autor da publicação recolheu a bordo a notícia de que na costa brasileira os indígenas tinham recordação de São Tomé, acrescentando:

"Quiseram mostrar aos portugueses as pegadas de São Tomé no interior do país. Indicam também que têm cruzes pela terra adentro. E quando falam de São Tomé, chamam-lhe o Deus pequeno, mas que havia outro Deus maior (...) No país chamam frequentemente a seus filhos Tomé".

Em terras sul-americanas, a maior obra de São Tomé teria sido a abertura da grande estrada que liga o litoral atlântico brasileiro até o Paraguai nas vizinhanças de Assunção.

A mesma estrada que se tornou famosa com as entradas de Aleixo Garcia, Pero Lobo, Cabeza de Vaca e outros aventureiros nos séculos XVI e XVII, como cita Sérgio Buarque de Holanda.

Essa estrada é conhecida como Peabiru ou Piabiyu, o Caminho de São Tomé ou do Pay Zumé, como também era chamado o histórico ou lendário personagem. Segundo o padre Montoya, a estrada era "um caminho ancho de oito palmos".

Fonte: 4.bp 

Visitas não comprovadas

Sobre Che Guevara há testemunhos inclusive de pessoas ainda vivas que deram como certa a presença clandestina do líder revolucionário Che Guevara no interior do Paraná e outras regiões do Brasil (Araguaia, por exemplo), onde o PCdoB desenvolveu sua frustrada guerrilha.

O então médico argentino teria estado no Brasil já em 1952, aos 25 anos, com destino à Guatemala. Em 1961, então ministro da Indústria e Comércio de Cuba, foi condecorado pelo presidente Jânio Quadros e seguiu para uma reunião da OEA no Uruguai, tendo feito uma aterrissagem forçada no Rio de Janeiro.

Em 1964 ele tentou sublevar a população em seu país, mas os guerrilheiros foram liquidados pelo governo e o Che conseguiu escapar.

Se ele realmente esteve no Paraná, coisa que não aparece nem como possibilidade em nenhuma de suas biografias, deve ter sido nessa época, mas em absoluta clandestinidade.

Recentemente foram encontrados na Argentina os restos mortais do capitão cubano Hermes Peña Torres, chefe da escolta do Che.

Torres era integrante do Exército Guerrilheiro dos Pobres (EGP), que pretendia levar a revolução liderada por Fidel Castro a todo o continente, começando pela Argentina. Ele foi assassinado em uma emboscada no dia 18 de abril de 1964.

Fonte: Dominio publico 

"Adolfo Mena"

Consta ainda que Che Guevara esteve no Brasil (há registros de sua passagem por dois dias em São Paulo) entre outubro e o início de novembro de 1966.

Nesta breve passagem, teria tido contato com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, que faziam parte da resistência à ditadura no Brasil.

Em novembro de 1966, Che chegou a La Paz, com documentos falsos, com o nome de "Adolfo Mena", enviado especial da OEA, para realizar um estudo sobre as relações econômicas e sociais vigentes no campo boliviano.

Nessa oportunidade, Che se apresentava bastante calvo e sem barba. Seu roteiro oficial de viagem até La Paz incluiu Praga, Frankfurt, São Paulo e Mato Grosso (de onde teria ido a Imperatriz, Maranhão, na fase preparatória da Guerrilha do Araguaia).

No ano seguinte o médico revolucionário seria assassinado, dando início a um mito somente comparável no continente ao de Simon Bolívar.

Churrasco para o guerrilheiro

O jornalista e historiador Roberto Marin em certa ocasião recebeu a informação de que o catarinense Osmar Benvenuti seria a testemunha que faltava para confirmar a presença de Che Guevara no Paraná.

Diante de diversas fotos de Guevara, Benvenuti confirmou: "É o médico, o Che, aquele que me operou quando levei um tiro na perna ao tentar desarmar Pedro Santin".

Como Guevara tinha asma, Marin perguntou a Benvenuti se o médico tinha alguma doença: "Não era bem uma doença. Ele tinha falta de ar. Ele comia muito mel e cheirava seguidamente um inalador".

Segundo o testemunho de Benvenuti, Guevara "usava sempre coturno, tinha uma pistola na cinta, cabelo comprido - não muito, barba rala, usava uma boina e tinha um caderno em que anotava tudo.

Aparentava ter uns trinta anos. E também me disse que queria fazer uma divisão de terras para todos em muitas partes do mundo".

Segundo o relato de Benvenuti, ele serviu o Exército em Foz do Iguaçu e deu baixa em 1957, quando um tenente chamado Marinoni o convidou sigilosamente a integrar um grupo do qual também participaria o Che.

Entre 1958 a 1964 trabalhou com um caminhão porcadeiro que transportava suínos de Laranjeiras a São Paulo, onde foi procurado com um pedido:

"Você é de nossa confiança e tem que levar o Che Guevara até a fronteira".

No caminho, o Che até dirigiu o caminhão e foi recebido em Barracão por um grupo de argentinos. A partir daí foram sucessivas idas e vindas entre o Sudoeste e a Argentina.

O médico em ação

Certa manhã, segundo Benvenuti, Guevara conversava com Pedro Santin quando um inimigo deste disparou e Benvenuti, na tentativa de desarmar o agressor, recebeu um tiro na perna esquerda.

- Che Guevara imediatamente veio me socorrer. Ele disse: "Agora vou te provar que sou médico". Molhou uma toalha e pediu para que eu mordesse com toda a força. Pegou um bisturi e em questões de segundos estava com a bala na mão. Depois pegou um pedaço de barbante, molhou num líquido meio preto e enfiou o barbante no buraco. Era um dreno".

Naquele momento, contou, passou uma equipe da revista O Cruzeiro e Benvenuti ingenuamente apontou Guevara como sendo um dos homens que aparecia na foto em que o episódio foi registrado.

Guevara em seguida se viu obrigado a desaparecer do Sudoeste, onde o falecido comerciante João Albino Calcanhoto teria sido outra testemunha da presença do Che, segundo o historiador Ilmar Antônio Auth:

"Até sua morte ele repetiu inúmeras vezes que sua maior glória fora a de ter servido um churrasco para Che Guevara".

Fonte: Jornal Mensageiro

A revista sumiu

Os episódios narrados por Benvenuti e Calcanhoto ainda não constam da biografia de Che Guevara por falta de provas.

Mas poderia haver uma prova. Roberto Marin conta:

"Durante muitos anos Osmar Benvenuti guardou como relíquia a revista O Cruzeiro, que aparece numa foto juntamente com o Che Guevara. Problemas conjugais obrigaram Osmar a deixar parte de seu arquivo histórico - foto de Pedro Santin, revista... na casa de sua irmã Lurdes, em Cascavel. A caixa que continha os documentos foi extraviada, segundo informou Lurdes, por telefone".

Sua opinião:
comentou em 08/09/2009 11:44
Estas histórias são sempre uma fonte de inspiração deliciosa!
Quanto a São Tomé, o meu espírito analítico diz-me que é uma bela lenda, como milhares de outras. Quanto a Che Guevara, porque não? Ele andou por aí tão perto, porque nunca teria ido ao Brasil e deixado que contar?

Abraços
Luísa
Muito bom, Guizo. Com certeza, em curitiba ele passou. Valêncio Xavier, vizinho e amigo meu, escritor conhecido, contou-me que entrevistou che guevara quando este passou aqui a caminho de são paulo.
Muito bom, Guizo. Com certeza, em curitiba ele passou. Valêncio Xavier, vizinho e amigo meu, escritor conhecido, contou-me que entrevistou che guevara quando este passou aqui a caminho de são paulo.bj