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em 02/12/2011 11:10
O cliente tem sempre razão - Por R$ 40 milhões, GWI e Socopa vão a arbitragem
Aprendi que quando uma empresa briga com seus clientes, é porque a coisa está feia ou ficando feia. Algumas corretoras (principalmente as independentes) estão com margens apertadas e sob pressão de seus principais clientes, por causa dos custos. A Socopa, uma das que era mais arrojada do mercado, de uma hora para outra, deu uma "baita" diminuída nas suas operações.E seus custos como ficarão? Aqui você vê o fraco desempenho da Socopa-2a. pior- http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2272441
Por R$ 40 milhões, GWI e Socopa vão a arbitragem
A corretora Socopa e o gestor Mu Hak You, dono do fundo de investimentos GWI, estão travando uma disputa milionária. O pano de fundo da disputa é a venda da posição do fundo em ações do frigorífico Marfrig.
Estão em jogo R$ 40 milhões. A Socopa alega que o fundo deixou esse valor de prejuízo à corretora porque não teria honrado posições alavancadas no mercado, que ela teve de cobrir em seu lugar. Já Mu defende que a Socopa se desfez precipitadamente das posições em Marfrig, derrubando o preço dos papéis e causando prejuízo ao fundo GWI - que atualmente está com o patrimônio negativo.
A disputa foi parar na Câmara de Arbitragem da BM&FBovespa no fim de novembro, depois que os envolvidos extinguiram uma ação que corria no Judiciário.
Desde o início do ano, o mercado acompanhava o posicionamento da GWI em ações da Marfrig. Em janeiro, a gestora comunicou que, por meio de seis fundos, possuía 5,22% da empresa. Mu praticamente dobrou a participação por meio de operações alavancadas.
Nesse tipo de operação, o preço de liquidação é fixado no presente para uma data futura.
Ao operar dessa forma, o fundo compra, por exemplo, 300 ações e paga apenas por 100, usando um empréstimo com a corretora para pagar pelas 200 restantes. Enquanto a data de vencimento não chega, tem que fazer depósitos de margem para ajustar os preços.
Se as ações sobem na bolsa, equivale dizer que o ativo dado como garantia na operação tem maior valor e os depósitos para o ajuste da margem caem. Se, ao contrário, as ações caem no mercado, significa que a garantia tem menor valor e os depósitos de margem sobem.
O fundo precisa então vender as ações na bolsa para fazer caixa e honrar as margens, ao mesmo tempo em que inicia a desalavancagem. Com esse movimento, acaba alimentando ainda mais a desvalorização do ativo que possui em sua carteira.
No dia 8 agosto, primeiro pregão após a redução da nota de risco de crédito da dívida americana pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, as ações da Marfrig caíram 25%, o que levou ao desmanche das posições, deixando negativo o patrimônio do fundo.
O ponto que se discute é em que medida a Socopa - e outras corretoras - contribuíram para a continuidade da queda das ações ao vender os papéis dados em garantia para cobrir as chamadas de margem.
Na visão de Mu, as corretoras não deveriam ter corrido para se desfazer das ações, o que teria colaborado para aumentar a perda do GWI.
A Socopa, contudo, como era a instituição que tinha a maior parte dos contratos, alega que chegou a ter de fazer uma chamada de capital com os sócios para honrar os compromissos de Mu, que ficou inadimplente no mercado.
No dia 15, os advogados de Mu, do escritório Carvalhosa & Eizirik, encaminharam uma notificação formal à Socopa por conta da venda "precipitada das ações da Marfrig" dizendo que tomariam as medidas cabíveis. No dia 17, os advogados fizeram uma reclamação formal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia que fiscaliza o mercado de capitais.
A Socopa, representada pelo escritório Bocater, Camargo, Costa e Silva Advogados, foi à Justiça do Rio de Janeiro buscar o ressarcimento de seus prejuízos e conseguiu, por meio de decisão liminar, bloquear os bens de Mu e dos outros cotistas do fundo Jong Sun Kim You, Soon Yong Kim, Soon Joon Kim e Denise Douk Chun Ha. Foram bloqueados o equivalente a R$ 20 milhões em ações, imóveis e outros ativos. Os advogados dos cotistas, contudo, reduziram o valor a R$ 13 milhões.
O mérito da disputa não chegou a ser avaliado na Justiça com a transferência da discussão para a Câmara de Arbitragem da bolsa. A partir de agora, o processo corre em sigilo. Por conta disso, a Socopa preferiu não comentar o assunto e as informações obtidas pelo Valor.
Outra corretora que passou por situação semelhante foi a Icap. Contudo, foi alcançado um acordo, encerrando a disputa. A Icap também não comentou.

