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em 11/08/2009 17:31
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em 14/08/2009 18:54
Os segredos do rio Paraná
A navegação na bacia do Prata foi uma das questões fundamentais na Guerra do Paraguai

"Bom dia, Paraná! Entramos nas águas do majestoso rio".
Essas palavras respeitosas foram pronunciadas em 1876 pelo proeiro da expedição do capitão Nestor Borba, que por determinação do governo do Paraná foi estudar a região das Sete Quedas, onde localizou as ruínas da antiga cidade real espanhola de Guayrá.
A navegação nesse majestoso rio Paraná até chegar àquele momento de deslumbramento teve uma história que envolveu muita estratégia política, diplomática e militar.
Além de estar colocado como foco objetivo de todas as iniciativas governamentais no sentido da marcha para Oeste, o rio teria, de fato, uma extraordinária importância militar e econômica.
Se nos tempos do controle espanhol o rio Paraná era, no estuário do Prata, cenário de propagação da civilização espanhola, nas Sete Quedas a natureza criou um gargalo que por muito tempo desafiou os dominadores espanhóis e portugueses.
Nunca é demais considerar que apesar de conflitos e guerras, Espanha e Portugal por longo tempo estiveram sob a mesma coroa e historicamente mantinham acordos e tratados abertos ou secretos.
A navegação do rio Paraná, assim, tem relação direta com a impropriamente chamada Guerra do Paraguai, conflito que foi também a guerra do Brasil, da Argentina e do Uruguai - a Tríplice Aliança.
Um sangrento confronto que o Mercosul poderá talvez superar com os benefícios de uma futura integração continental, esquecendo a triste imagem de soldados meninos trucidados implacavelmente.
O rio Paraná nasce da confluência de dois importantes rios brasileiros: Grande e Parnaíba. Começa majestoso, de fato: já em sua formação tem largura superior a um quilômetro e vazão mínima de mais de mil metro cúbicos.
Considerando-se em conjunto com o rio Parnaíba, seu prolongamento natural, o rio Paraná tem uma extensão de 4 mil Km.
Ele percorria quase 620 quilômetros até chegar às extintas Sete Quedas, onde passa a fazer fronteira entre Brasil e Paraguai, numa extensão de 190km até a foz do rio Iguaçu, passando a fazer limite entre a Argentina e o Paraguai.
Ao se juntar ao também majestoso rio Iguaçu, o Paraná segue completamente em território argentino.
O comprimento total do rio Paraná é de 2.739km, dos quais 1.240km em território platino, 619km inteiramente em território brasileiro e 880km como limítrofe entre a República do Paraguai e Argentina ou Brasil.
O rio Paraná é muito bom para a navegação, inclusive pelas margens geralmente baixas.
Em meio a tantas questões que envolvem as origens do conflito da Tríplice Aliança não há como esquecer que do ponto de vista geopolítico a navegação fluvial foi um dos mais determinantes, pois não havia entendimento sobre a utilização das águas internacionais.
Por volta de 1850, o Brasil requereu ao Paraguai que desse à província de Mato Grosso acesso ao rio Paraná, e, portanto, ao Atlântico, via rio Paraguai.
Por sua vez, a Argentina deveria dar ao Paraguai acesso ao Atlântico através do rio Paraná.
Mas o Paraguai via uma ação imperialista do Brasil em relação ao Uruguai e se fortaleceu econômica e militarmente para tentar dominar a Bacia do Prata em nome do projeto do "Grande Paraguai".
O astro do Paranazão
Mesmo no Oeste do Paraná há quem estranhe o nome do Município de Pato Bragado, cujo núcleo colonizador inicial integrava o "pacote" de comunidades capitaneado por Marechal Cândido Rondon - um dos projetos da Companhia Madeireira Rio Paraná (Maripá) desenvolvidos na antiga Fazenda Britânia.
Afinal, compreende-se Pato Branco, na medida em que se trata de uma ave clara. Mas o que seria um pato bragado?
Trata-se de um pato cujas penas têm coloração diferente no corpo em relação à cabeça, ave que por ser grande nadadora e fazer parte da fauna argentina deu nome a uma grande embarcação daquele país que pontificava na navegação do rio Paraná.
Quando precisou dar nome a esse núcleo de colonização, o pioneiro Willy Barth, já no comando da Maripá, deu ao povoado o nome do maior navio que já havia ancorado no Porto Britânia, no rio Paraná, dedicado ao transporte de madeira.
Era como se o colonizador idealizasse para a comunidade de Pato Bragado a grandeza da embarcação que transportava as riquezas da região para a Argentina.
Pato Bragado começou a ser idealizado em 1955 e progrediu rapidamente, tornando-se distrito de Marechal Cândido Rondon em 29 de dezembro de 1962. Torna-se município em 18 de junho de 1990, com instalação em 1º de janeiro de 1993.

Parabéns por mais esse post!
Abração com carinho,
Bia
Não sabia que era tão caudaloso, nem tão comprido.
Abraços
Luísa
Parabéns pela linda postagem,uma grande aula para todos nós.
Forte abraço,amigo.
Infelizmente, o Brasil tem essa mácula em sua história, onde foram mortos muitas pessoas. Três países contra apenas um, embora o outro país fosse uma potência naquela época.
Abraços
Francisco Castro