Historia do Parana 

O governador Polidoro César Burlamaqui abominava os jovens que fugiam para o mato, evitando assim ser recrutados para combater na Guerra do Paraguai:

- O terror das designações e do recrutamento afasta dos centros populosos a massa da população em condições de marchar para o Paraguai. E longe das vistas das autoridades, os instintos perversos desenvolvem-se, a ideia do crime surge medonha nas cabeças exaltadas e as vítimas aparecem.

- Há lugares onde jazem aglomeradas dezenas e talvez centenas de indivíduos, que o espantalho da guerra atira para longe dos próprios parentes e amigos. E aí nessas paragens ínvias eles armam-se, coligam-se e permanecem dispostos a resistirem, à mão armada, às diligências policiais.

Polidoro César Burlamaqui recebeu do imperador o encargo de recrutar soldados para integrar o corpo de guerra "Voluntários da Pátria".

As famílias ligadas ao poder protegiam os filhos, evitando que fossem "voluntários" na marra e enviando-os à Europa.

Os jovens de famílias pobres e os filhos de famílias adversárias do governo eram apanhados à força e enviados a lutar nas frentes de combate no Paraguai. 

Quem conseguia escapar se reunia a outros foragidos, que se escondiam na enorme mata paranaense, já que, na época, o Paraná se limitava a Curitiba, o litoral e os chamados Campos Gerais, até Guarapuava. Para obter alimentos, roupas e calçadas, saqueavam e assaltavam.   

Educação e riqueza

Burlamaqui esteve à frente do governo do Paraná entre novembro de 1866 e agosto de 1867. Piauiense de Oeiras, nascido a 15 de junho de 1836, sua preocupação mais destacada foi a educação, embora também se mostrasse incomodado com a falta de segurança, a situação das cadeias e o abandono da saúde pública.

Lembrando que o general Wellington atribuía à educação a base que lhe permitiu derrotar Napoleão, Burlamaqui afirmou aos deputados paranaenses que "é hoje um axioma econômico que a instrução abre válvulas ao desenvolvimento da riqueza geral".

Burlamaqui, muito antes de Buarque, afirmava aos parlamentares que era responsabilidade do governo "difundir a luz por entre as novas gerações, porque nelas encerram-se os futuros destinos do País".

Vale assinalar em favor do governante paranaense uma curiosidade interessante, bem representativa do desinteresse do Império para com a educação: o Paraná tinha então quatro vezes mais escolas que o Rio de Janeiro - na époc, a capital do Brasil.

- Conseguintemente não é desanimador o estado da instrução primária nesta província, comparado com o de outras. Mas é satisfatório? Ninguém o dirá. Não temos no Paraná ensino bem dirigido, capaz de desenvolver suficientemente as faculdades do menino.

- A instrução é feita nas escolas de tal modo que o menino, chegado à idade da puberdade, deslembra tudo quanto aprendeu, confundindo-o na massa dos ignorantes.      

Alimentação intelectual

Por essa época estava em discussão se o ensino deveria ser público e obrigatório ou as famílias deveriam ter a liberdade de educar as crianças como bem entendessem. Burlamaqui defendia a obrigatoriedade:

"Sou sectário da doutrina da obrigação - não dessa, que tende a invadir o lar doméstico, a perscrutar os segredos da família, a arrancar os filhos do poder dos pais sob pretexto de educação; seria isto abater os fundamentos da sociedade, de que a família é o principal esteio - mas dessa outra, que se faz sentir sem violência, sem vexame, sem inquisição, e cujos métodos de ação são todos indiretos".

- Não vos damos a liberdade da ignorância, diz-se aos pais, mas fica-vos a escolha, entre muitas, da substância que julgardes mais apropriada à alimentação intelectual de vossos filhos.

- A liberdade, senhores, assenta no direito. Desde que não há direito não pode haver liberdade. E que direito assiste aos pais para conservarem no embrutecimento tenras criaturas destinadas a viverem em sociedade, isto é, mais para os outros, do que para si?

- Se a obrigação do ensino tolhe aos pais alguma liberdade, convenhamos que é a de fazer o mal.

Wikimedia 

A segurança pública também mexia com o governador Polidoro César Burlamaqui. "As circunstâncias de hoje não são as de ontem, as ocasiões tentadoras do crime multiplicaram-se nestes últimos tempos, a facilidade dos cometimentos cresceu na mesma proporção e os meios preventivos escassearam na razão inversa", comunicou o governante aos deputados paranaenses.

Defensor da educação como forma de combater o crime, o governador atribuía a onda de crimes registrada no Paraná à ignorância:

"Onde ela reina, reinam também o desrespeito às leis e à autoridade, a irreligiosidade no seu apogeu, o egoísmo selvagem, o orgulho protervo (insolente), e a preguiça, que conduz ao crime. As estatísticas criminais da Europa demonstram que 70% dos acusados são homens que nunca receberam a menor instrução. Deve haver portanto um empenho muito sério em levar às mais ínfimas camadas sociais ao menos as noções elementares, indispensáveis à vida".

Saúde, dever do cidadão

Diante do estado calamitoso da Santa Casa de Misericórdia do Paraná, o governador Polidoro Burlamaqui não se conformou, criticando severamente a comunidade:

- É lamentável, senhores, que a indiferença pública vá matando de esterilidade uma instituição eminentemente caridosa merecedora da animação e auxílio de todos os corações bem formados.

- Esta capital, mostrando-se surda e quase insensível aos gritos dos míseros enfermos que vagam por aí por essas ruas cobertos de andrajos, famintos de pão e mal sustendo os passos vacilantes, ou jazem prostrados em duros leitos de dor, desabrigados do teto, esquecidos dos homens - dá o documento mais triste contra sua civilização, contra a filantropia de seus habitantes e lavra a condenação de seus sentimentos religiosos.

Hoje, tudo mudou: não é o governador que se queixa da falta de filantropia da população, mas esta que exige do governo socorrer os hospitais. Em alguma coisa, portanto, o Brasil evoluiu com a República!

Polidoro Cézar Burlamaqui morreu em Teresina (PI) em 3 de julho de 1894.

Sua opinião:
comentou em 01/11/2009 17:11
"... tres valentes paraguayos muertos por un covarde brazileiro..."
comentou em 02/11/2009 13:24
Correr para o matou ou para o morro era a única solução plausível. Quem gosta de guerra é produtor de cinema povo gosta de paz e tranquilidade.
comentou em 10/11/2009 19:37
fugir para o mato é engraçado!
Olá amigo,
Essa coisa de fugir para o mato não era brincadeira não. Os jovens fugiam mesmo e pensando bem, não tinham eles toda razão?
Tinha um tio, meu querido tio Lélio, já falecido, ficou distante da família por um longo período se preparando para ir à guerra. Isto mesmo, para a guerra e aqui no Brasil. Nosso país chegou a preparar jovens para mandar à Europa e esse tio estava no grupo.
Nesta minha cidade, Indaiatuba, tem dois bairros na zona rural com os nomes de : Bairro Mato Dentro e Bairro Morro Torto.
E nessa época da guerra, minha avó contava que os jovens bradavam: OU EU MATO OU EU MORRO, mas é evidente que significava que iriam fugir para um dos bairros que citei.
Legal amigo!!
Fraterno abraço,
Lilian
respondeu em 11/11/2009 01:23
É. A nossa cultura, a maior parte herdada dos portugueses, sempre preferiu um péssimo acordo do que uma boa briga então não está em nós puxar encrenca com quer que seja e muito menos ir para guerrra. Diferente da cultura americana, a maior parte herdada dos ingleses, que não pensa duas vezes em ir para guerra onde encontra "honra" por ter virado bucha de canhão.