Cavalaria x estudantes 

Dedicado à memória de Tranquilino Malacarne

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Já se ouvem os murmúrios: "O que esses baderneiros merecem é apanhar!" E, efetivamente, os murmuradores vão lá e surram.

Vítimas de uma estrutura educacional que os sobrecarrega de responsabilidades e os trata como párias, os professores estão escalados pela inclinação fascistizante de certa parcela da classe média para ser os novos "sem-terra", acusados de todos os males do País.

O ex-deputado mato-grossense Pedro Pedrossian, filho do ex-governador do mesmo nome, bateu no professor de Filosofia André Martins dentro da sala de aula, no Rio de Janeiro.

Em Curitiba, o professor Carlos Alberto de Oliveira, de Física, foi atacado com um machado, no banheiro da escola.

Há muitos casos em que maluquice e covardia se juntam nos ataques, como no caso do professor Gilson Monteiro, da área de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas, que se viu agredido por uma aluna, sobrinha do vice-governador Omar Aziz.

Ela, o tio e o pai partiram para cima do professor e o derrubaram a socos e pontapés, fazendo sinais com as mãos, apontando para sua cabeça, como se fosse um revólver, em clara ameaça de morte.

  

No pelourinho

Num caso raro, um professor ofendido por aluna em Águas Claras (DF), vai receber R$ 5 mil de indenização por danos morais. A estudante do curso de Direito xingou o professor e disse que bateria nele fora da sala de aula, após ter sido apanhada colando na prova final com duas colegas de classe.

Talvez ela quisesse, como prêmio por estar agindo de acordo com essa tendência fascista, ganhar de presente de Natal uma camioneta incrementada por ter atacado o baderneiro "sem-terra" da educação, que em benefício da própria formação da aluna a advertiu para o prejuízo que a "cola" faria a ela, futura profissional... do Direito! 

Apanhando dos governantes que desprezam suas justas demandas, atacados por alunos agressivos apoiados por pais neuróticos, com lares destroçados pelo egoísmo, o rancor ao outro, ao diferente, ao desigual, os professores terão que escolher um de dois caminhos: ou se ajeitam docilmente num pelourinho para levar chicotadas de alunos e pais transviados ou intensificam seus movimentos reivindicatórios.

 

Buscar a Justiça

No primeiro caso, é aconselhável que vendam a casa para comprar um bom plano de saúde, pois não precisarão mais do lar: passarão a morar em hospitais.

No segundo caso, e agora falando sério, é preciso que eles amarrem suas reivindicações com as da comunidade, para não dar aos fascistas a chance de arrastar pais e alunos decentes e honestos às suas posições de rancor e hostilidade.

Não se deve promover greves ou paralisações apenas com viés classista. É preciso, além das justas reivindicações da classe, articular as ações defensivas com os interesses gerais da comunidade.

Aliás, todos aqueles que sofrem agressões e incompreensões da banda egoísta e autoritária da sociedade deveriam formar um bloco de autodefesa para recorrer à Justiça ao menor sinal de agressão e ofensa. Claro, torcendo para que a Justiça escape a essa degringolada fascistóide.

Quem agride e xinga pelos cotovelos não pode ficar confundindo alegremente liberdade de opinião com liberdade para espancar, humilhar e ofender. E quem silencia frente a tais atos insanos é masoquista ou cúmplice.

Sua opinião:
comentou em 29/01/2010 08:58
O PROBLEMA PERSISTE NA INVERSÃO DE VALORES DO BRASIL.
comentou em 29/01/2010 13:31
Lembro do meu tempo de infância, escolas públicas, primário (não tinha este negócio de primeiro e segundo grau), bairro pobre, escola para todos, ensino bom, tinha escolas particulares, mas a pública era boa, tinha mais civismo e civilidade .... passou o tempo perdeu-se tudo, professores viraram profissão de terceira categoria, sem entusiamos, alguns abnegados, outros nem tanto, e os alunos, bem estes, reclamam do sistema, mas também pouco fazem, enquanto isso as salas de aulas e escolas se transformam em pontos de drogas ....