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em 26/06/2009 10:58
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em 27/06/2009 17:54
7 faces de uma obra gigantesca - Itaipu, 6: Os homens
Quase 40 mil trabalhadores diretos: a massa humana de Itaipu chegou a ser formada por 23.983 brasileiros e 14.442 paraguaios que trabalhavam em turnos de 11 horas
É falsa a tese de que só os brasileiros fizeram Itaipu. Até o final do acordo de Itaipu, independente de uma revisão amigável ou através de tribunal internacional, como propõe o presidente do Comitê para a Abolição da Dívida Externa do Terceiro Mundo, Eric Toussaint, o Brasil terá pago a metade e o Paraguai a outra metade dos custos da obra.
A diferença é que o Brasil pagou o financiamento com recursos do Tesouro e o Paraguai está pagando sua parte com o fornecimento de energia a preços reduzidíssimos.
Também a mão-de-obra não foi exclusivamente brasileira. Brasileiros e paraguaios deram sua força de trabalho e muitos até perderam a vida no curso da obra.
No auge dos trabalhos para construir a usina hidrelétrica, 23.983 brasileiros e 14.442 paraguaios trabalhavam dia e noite em turnos de 11 horas. Em relação às respectivas populações, a percentagem de operários paraguaios era maior que a brasileira.
Entre os turnos de 11 horas havia um intervalo de uma hora, destinado à troca de turmas. E também nesse intervalo se trabalhava: era quando davam as explosões de dinamite, preparando o trabalho para a próxima turma. Foram usadas mensalmente 500 toneladas de dinamite no "ciclo das explosões".

Foz do Iguaçu, uma explosão
As obras de Itaipu provocaram na região uma enorme convergência de famílias de trabalhadores. A vizinha cidade de Foz do Iguaçu teve sua população aumentada de 34.000 para 132.000 em quatro anos, com seus problemas resultantes.
Foram efetivados projetos especiais de residência, com mais de 9.500 casas. Foram construídos quatro hospitais, cinco clínicas e escolas para treze mil alunos, além de postos de abastecimento e lojas.
Segundo anúncio oficial do governo, os trabalhadores no canteiro de obras recebiam gratuitamente, além de seu salário, moradia, assistência médica, escola e acesso a clubes recreativos.
No seu auge, o restaurante dos trabalhadores consumia diariamente 4 toneladas de arroz, 1,3 tonelada de feijão, 5,5 toneladas de hortaliças e 5 toneladas de carne.
Para quem não trabalhou na obra e, antes dela, estava atrapalhando, foi uma desgraça. Oito mil famílias expulsas, a maioria delas sem nenhum tipo de indenização, pois não eram proprietárias de terras.
Tinham apenas a mão-de-obra e, sem ela, foram forçados a se retirar para sofrer em outras regiões, onde teriam que lutar muito para conseguir um trabalho.
Longe do Paraná, corriam o risco de escravidão, pela enorme oferta de mão-de-obra que a região liberou para as frentes pioneiras de colonização.
A retirada dos incômodos camponeses não se deu sem atrito. Os primeiros a reagir foram os agricultores expropriados, que perderam terras riquíssimas em troca de uma indenização abaixo do valor de mercado.
A Itaipu Binacional jogou duro, comandada pelo general Costa Cavalcanti e mais tarde pelo ex-governador e também ex-militar Ney Braga.
Eram perdas grandiosas. Segundo o escritor Roberto Marin, Santa Helena perdeu 31% de seu território. Medianeira, 3,45% (incluindo Missal, que ainda não se não emancipara) e São Miguel, 21 %.

Os retirantes das águas
No livro A Taipa da Injustiça, o jornalista Juvêncio Mazzarollo (o último preso político da ditadura) assinalou que na área atingida viviam 40.000 pessoas.
O reservatório de Itaipu liquidou quase cem mil hectares de terras ricamente produtivas apenas em território brasileiro. Posseiros, arrendatários, empregados e boias-frias tiveram apenas que desocupar suas choupanas e dizer adeus ao Oeste do Paraná, pois a especulação imobiliária tomou conta da região, tornando proibitivos os preços dos imóveis fora da área a ser alagada.
Uma revolta começou a se forjar entre todos esses prejudicados, cuja voz era calada pela ameaça de força da ditadura.
Sua motivação era uma crescente oposição ao governo opressivo e o apoio da Igreja Católica, através da Comissão Justiça e Paz, Comissão Pastoral da Terra e bispos, além de jornalistas, advogados e pastores, que mobilizaram sindicatos e cooperativas.
Nas negociações com a Itaipu, os agricultores reivindicavam 100% de aumento nos valores pagos à terra expropriada, doação de novas terras aos posseiros, indenização justa aos posseiros e agregados, ao comércio, pontos de serviço, moinhos, etc.
Pediam também pagamento justo às vilas condenadas ao desaparecimento e providências datadas para evitar manobras protelatórias e "esquecimento" oportunista.
Depois de muita luta para construir a maior hidrelétrica do mundo, veio a China e nos ultrapassou. Atualmente, Itaipu é a segunda maior usina do mundo, deixada para trás pela Hidrelétrica de Três Gargantas, em 2006.
Artigos anteriores:
Itaipu, 2: Jango caiu (também) por causa de Itaipu
Itaipu, 3: Usina foi apressada pela crise
Itaipu, 4: O poético adeus às Sete Quedas
Itaipu, 5: A Operação Pega-Bicho.
Abraços
Agora que a Aneel autorizou um reajuste cavalar para a energia elétrica, nós, aqui no Paraná, olhamos para todas as represas e vemos que elas nos tiraram milhares de hectares de terra agricultável, de onde foram expulsos os sem-terras, e foi por isso que eles criaram o MST aqui em Cascavel...
Vemos os capitalistas, acionistas da companhia de energia, mandando no Estado e decidindo punir com o reajuste da Aneel os mais pobres, isentando os mais bem aquinhoados até do reajuste descabido determinado pela Aneel: média de 13% num país assolado pela crise...
O bravateiro governador disse que não repassaria o reajuste aos paranaenses. Baixou a cabeça aos acionistas da Copel, isentou os mais ricos e ferrou os mais pobres...
Produzimos tanta energia quanto um emirado árabe produz petróleo, mas os emires fazem Dubai e Masdar e nós temos 300 municípios com IDH "nordestino"...
E os árabes é que são o "Império do Mal"...