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em 09/06/2009 06:50
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em 10/06/2009 05:27
7 faces de uma obra gigantesca - Itaipu, 4: O poético adeus às Sete Quedas
Na comovente despedida a uma das grandes maravilhas do mundo, lágrimas e poesia
Na primavera de 1982, as Sete Quedas desapareciam para dar lugar ao grande lago/reservatório da Hidrelétrica Binacional de Itaipu, que em tupi-guarani significa "Pedra que Canta".
Também houve cânticos no adeus às Sete Quedas, lamentando a destruição dessa portentosa obra natural destruída pela tecnocracia humana.
Poemas foram declamados e lágrimas derramadas até que, no dia 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio viria significar o fim das Sete Quedas do rio Paraná.
Manifestantes portavam bandeira branca e muda de árvore no adeus às Sete Quedas
O verbete da Enciclopédia Britânica se refere assim às Sete Quedas:
"O rio esculpiu uma garganta de 2 milhas [c. 3 km] através do basalto vermelho. O resultado é uma visão estupenda, embora não muito bem conhecida. O rio, que se espraia formando uma lagoa de 3 milhas [c. 5 km], subitamente se comprime entre paredes de fendas de apenas 300 pés [c. 90 m] de largura. Em resultado, a água borbulha num ensurdecedor crescendo, que pode ser ouvido a uma distância de 20 milhas [c. 30 km], através de vários canais e umas 18 cataratas, num desnível total de aproximadamente 300 pés [c. 90 m]".
Paraíso de cachoeiras
Não seria necessário, mas para construir Itaipu o governo ditatorial decidiu destruir essa maravilha construída pela natureza, que tornava o Paraná o maior paraíso de cachoeiras do mundo.
Sete Quedas (também chamado Salto Guaíra) era a maior cachoeira do mundo em volume de água. A rigor, eram 19 cachoeiras principais, agrupadas em sete patamares (quedas).
Os saltos eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com Foz do Iguaçu.
Em 17 de janeiro de 1982, uma tragédia: a queda da ponte Presidente Roosevelt, com a morte de 32 pessoas, fruto do descuido com a manutenção, pois se sabia que em breve tudo seria destruído e ninguém dava mais a mínima para o parque ecológico.
"Sete Quedas viverá"
Em julho de 1982, junto aos saltos, três mil pessoas participaram de um quarup - celebração indígena - em protesto contra a construção da hidrelétrica de Itaipu, que ameaçava o Parque Nacional de Sete Quedas.
Ao som compassado de um tambor, os manifestantes levavam mudas de árvores e bandeiras brancas com uma pétala ao centro, em forma de lágrima, além da faixa "Sete Quedas Viverá". Foram feitas sete paradas durante o percurso.
O movimento foi organizado por pequenos grupos ambientalistas de diversas regiões do País. Intitulado "Quarup Adeus Sete Quedas", incluiu atos políticos e culturais ao longo de três dias.
O maior poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, teve seu poema-homenagem recitado no dia em que começou o alagamento:
Sete quedas por nós passaram,
e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
e todas sete foram mortas,
e todas sete somem no ar,
sete fantasmas, sete crimes
dos vivos golpeando a vida
que nunca mais renascerá.
"O que eu vou fazer?"
Em setembro de 1982, ao visitar as obras da hidrelétrica, o general João Figueiredo, o último ditador brasileiro, ouviu uma pergunta: "Pode algo ser feito para salvar os saltos?"
A resposta foi a sentença final das Sete Quedas:
"Se eu salvar Sete Quedas, o que vou fazer com aquela tremenda construção de Itaipu?"
Com efeito, já no dia 29 desse mês, um decreto-lei proibia as visitas de brasileiros ao parque de Guaíra e o acesso às Sete Quedas.
Diploma concedido pela Prefeitura de Guaíra (PR) às entidades participantes do Movimento Adeus Sete Quedas
Em 27 de outubro de 1982 as Sete Quedas de Guaíra já estavam totalmente cobertas pelas águas. Até para que jamais voltassem, foram dinamitadas sob a razoável justificativa de facilitar a navegação pelo lago.
Artigos anteriores:
Itaipu, 2: Jango caiu (também) por causa de Itaipu
Itaipu, 3: Usina foi apressada pela crise
Não sei até que ponto tudo isto é válido.
O egoísmo dos Homens ainda se faz bombástico no campo da evolução.
Beijos, Maria Souza - Porto Alegre - Porto Alegre - RS
Belo texto. Na medida exata e perfeitamente equilibrado para nos fazer enfretar a nossa realidade.
Fica evidenciado o poder que emana de outras fontes e faz a todos, mesmo os que ocupam cargos majoritários, ter de obedecer a ordem de algum supererior, que ninguém nunca vê e nem sabe onde fica. A frase: "O que vou fazer?" mostra que há uma ordem maior a ser seguida; nada é mais doloroso do que descorirmos que ninguém tem poder.
Quem sabe se houver uma união verdadeira, sem buscas em satisfazer interesses pessoais, podemos passar a ditar o que jugamos melhor? Ainda que possa, após analisado por outros, numa outra época e em outra circunstância, ser julgado como "errado"?
Abraços do
Antonio Carlos
beijos, amigo.
Maria
O que estamos vendo são consequências maléficas da ditadura.
Mas, na atual "democradura", quem é que decide o fantástico endividamento nacional?
O fantástico grilo de terras na Amazônia?
Sei que amanhã estaremos dizendo disso o mesmo que dizemos hoje de Itaipu, mas aí já serão favas contadas!