Meio ambiente
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em 20/06/2009 13:49
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em 04/07/2009 14:27
7 faces de uma obra gigantesca - Itaipu, 5: a Operação Pega-Bicho
Para acalmar os ambientalistas, a construção da hidrelétrica foi precedida por ações de preservação. A Operação Mymba-Kuera (pega-bicho, em Tupi-Guarani)

A grita contra a destruição das Sete Quedas se transformou em ação de protesto contra a ditadura. No exterior, os olhos do mundo assistiam com atenção o desenvolvimento do projeto de construção da maior usina hidrelétrica do planeta. Seu calcanhar de Aquiles era o impacto ambiental.
Foi assim que surgiu a Operação Mymba-Kuera ("pega bicho", em Tupi-Guarani).
A uma equipe de 156 membros coube identificar as muitas espécies de animais e também para manejar ganchos, redes, laços, armadilhas e armas anestésicas, bem como para preparar jaulas para animais e caixotes para cobras e aranhas.
Com a bordo de 17 barcos a motor, 15 caminhões e helicópteros, eles corriam contra o tempo - e contra a rebeldia dos animais.
Era imprescindível resgatar o que fosse possível da flora e da fauna locais. Quando a barragem se fechasse, nas duas semanas de formação do imenso lago apareceriam muitas ilhas pequenas, enquanto as águas subissem. Os animais teriam que procurar abrigo nessas ilhas, que finalmente seriam cobertas, afogando-os.
Com efeito, formaram-se 667 ilhas pequenas, mas apenas 44 dessas sobraram quando a água atingiu seu nível máximo. O resgate dos animais foi comparado a uma espécie de "Arca de Noé".
Reação argentina
Até o final da Operação Mymba-Kuera, quase dez mil animais foram recolhidos e colocados em reservas previamente preparadas para isso.
Além dos bichos, foram recolhidas 110 espécies de palmeiras, abacaxis silvestres e plantas ornamentais, como várias espécies de orquídeas, três das quais existentes apenas naquela área.
Pegando carona em queixas de ambientalistas contra a portentosa hidrelétrica, em 1973 a Argentina também meteu sua colher na obra binacional paraguaio-brasileira.
O governo platino acreditava que havia a ameaça de em caso de guerra o Brasil abrir as comportas e alagar seu território. Oficialmente, no entanto, os argentinos se opuseram à obra por acreditar que a usina retiraria potencial hidrelétrico dos seus rios.
O conflito foi levado às Nações Unidas e só apaziguado em 1979, com o chamado "Acordo Tripartite".
Ecologistas não se calaram
Arrogantemente, um diretor da obra declarou, sobre a operação "pega-bicho":
- Oferecemos um cala-boca aos ecologistas que nos acusavam!
Não calaram muito, pois das 129 espécies de peixes no rio Paraná, algumas viviam apenas acima das Sete Quedas e outras somente abaixo. A rigor, era impossível compensar o impacto real da obra.
Mais difícil seria a operação "expulsa gente", porque havia nada menos que cem mil pessoas residentes na área. Quem tinha propriedade foi desapropriado e receberia indenização abaixo do preço real das terras. Quem tinha só emprego na região perdeu o ganha-pão sem qualquer compensação.
Reenterro e inundações
Deu-se o fenômeno dos retirantes. Milhares de pessoas partindo em caminhões carregados, carroças se arrastando na terra vermelha, muita gente a pé, levando "trouxas de Jeca" nas costas.
Casas eram demolidas para transportar o material de construção, portas e janelas. Todos os cemitérios foram esvaziados. Os familiares que não procuraram fazer o translado em particular, tiveram seus mortos reenterrados em outros cemitérios.
Junto com as quedas, muitos sítios históricos e arqueológicos foram sepultados no seu túmulo aquoso. E o "cala-boca" nos ecologistas não os impediu de condenar a represa, a seguir, por drásticas alterações nos padrões climáticos.
Mais umidade, ventos mais fortes, chuvas constantes numa grande área no Sul do Brasil e em países vizinhos foram atribuídos a Itaipu.
Cada chuvarada com enchente em São Paulo faz os paulistas esticarem os olhos para a "pedra que canta".
Artigos anteriores:
Itaipu, 2: Jango caiu (também) por causa de Itaipu
Itaipu, 3: Usina foi apressada pela crise
Itaipu, 4: O poético adeus às Sete Quedas.