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Furlan assume Sadia e ameaça ir à Justiça
O prejuízo de R$ 760 milhões foi decorrente de transações com derivativos de dólar e levaram a empresa a demitir o diretor-financeiro Adriano Ferreira e todos os envolvidos nas operações Leia mais
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O ex-ministro do desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, que reassume a presidência do conselho de administração da Sadia, depois da renúncia de Walter Fontana Filho, disse que a empresa pode acionar legalmente as pessoas que causaram as perdas de R$ 760 milhões divulgadas na semana retrasada. Ele afirmou ainda, em teleconferência, que "especialistas verificam as validades dos contratos" das operações financeiras e "se as pessoas envolvidas dos dois lados estavam capacitadas" para fazer tais operações.
O prejuízo de R$ 760 milhões foi decorrente de transações com derivativos de dólar e levaram a empresa a demitir o diretor-financeiro Adriano Ferreira e todos os envolvidos nas operações
Dizendo ter sido "convocado" a voltar para o conselho por Fontana, Furlan repetiu que "os operadores tinham assumido um risco muito acima do limite, contrariando as normas de governança do comitê financeiro" da Sadia. A política da empresa permite exposição líquida ao câmbio de no máximo US$ 1,8 bilhão, o equivalente a seis meses de faturamento com exportação. No entanto, a empresa estava com exposição líquida de US$ 3,2 bilhões a US$ 3,6 bilhões.
Ele disse que as informações só foram levadas ao conselho quando as perdas já haviam tomado grandes proporções - no dia 12 de setembro. Se isso tivesse ocorrido antes, a empresa poderia ter recorrido a um mecanismo de "stop loss". Furlan afirmou que em nenhum dos depoimentos obtidos pela auditoria - que deve ser encerrada no fim da semana que vem - "há menção de que membros do conselho [de administração] tinham conhecimento sem agir".
Sobre a volta ao conselho, disse que "Walter vinha enfrentando um momento turbulento, de grande estresse, e aceitei substituí-lo". Furlan classificou como "gesto de grandeza" a decisão de Fontana e de Eduardo Fontana d'Avila (vice-presidente) de se afastarem do conselho, para que não houvesse dúvidas sobre a transparência da investigação para esclarecer as perdas. "O afastamento tira dúvidas do acionista e do mercado", observou.
O novo presidente do conselho da Sadia admitiu que os planos de investimentos futuros "poderão ser ajustados", mas fez questão de enfatizar a situação operacional favorável da empresa, que após investimentos deste ano tem quatro novas fábricas que começarão a operar em breve, outra experimentalmente e mais uma no primeiro trimestre de 2009. Segundo ele, todas essas fábricas devem adicionar um faturamento anual de R$ 4 bilhões à Sadia a partir de 2010. No primeiro semestre deste ano, a empresa faturou receita bruta total no período foi de R$ 5,5 bilhões.
Apesar de admitir que a empresa vive um "momento sensível" , Furlan disse que "o pior já passou" . Para ele, "o tempo vai mostrar que a Sadia estava correta ao ser a primeira a reconhecer perdas que outras ainda não reconheceram porque esperam uma melhoria do mercado".
O ex-ministro também afirmou que a Sadia tem feito um esforço de recomposição do caixa. Em três operações, a empresa obteve R$ 1,5 bilhão.
Ele garantiu que "operações [financeiras] agressivas fáceis" são "prática do passado", quando instado a falar sobre o perfil agressivo da empresa em transações financeiras. "Vamos promover uma volta à origem". Segundo Furlan, a partir deste momento, a empresa irá utilizar "prática do setor industrial (...), de empresa exportadora". A empresa aprendeu com o episódio das perdas, conforme Furlan. "É preciso que medidas de proteção maiores sejam tomadas.
Sobre o banco da Sadia, o empresário não foi específico. Disse que a instituição já recebeu "algumas autorizações". "Não desistimos do banco, mas certamente agora a prioridade é colocar a Sadia em velocidade de cruzeiro".
Fonte: Folha Online





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