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"Hoje o Greenpeace é uma organização de burocratas"
por F3L1P40
em 17/11/2008 00:02
A entrevista a seguir foi retirada da publicação "Actio", de novembro de 2000, editada na Argentina. Paul Watson, um dos "cabeças" da Sea Shepherd Internacional (SSI) questiona sem piedade seus colegas verdes Leia mais
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Quais são as principais diferenças para você entre o que era o Greenpeace e o que é na atualidade?
Paul - Quando nós começamos o Greenpeace era um grupo de gente inculta, éramos ação direta, sem compromisso, éramos uma organização para "patear culos". Hoje é uma multinacional de bons sentimentos. As pessoas se unem ao Greenpeace só para se sentirem bem, com a consciência aliviada, para sentir que são parte da solução e não parte do problema. Algumas vezes me sinto o Dr. Frankenstein por haver co-fundado o Greenpeace. Criamos esta maldita grande máquina verde, uma megaburocracia que existe pelo propósito de autoperpetuação e proliferação. Greenpeace supera os 200 milhões de dólares por ano em arrecadação e a maior parte deste dinheiro é reinvestido para ganhar mais dinheiro e em campanhas de promoção.
Você disse que está permanentemente contra a forma como o Greenpeace gasta seus recursos, mas também critica o fato de que esta organização abandonou o trabalho de ação direta. É assim?
Paul - Sou critico, sobretudo, porquê o Greenpeace permanentemente ataca cada uma das campanhas radicalizadas ou extremistas do SSI. O engraçado nisso tudo é que a maioria dos membros originais, dos fundadores do Greenpeace estão hoje no SSI. Robert Hunter, que foi o primeiro presidente do Greenpeace, participou há pouco tempo em nossa campanha de oposição a caça de baleias nas Ilhas Faroes. Hoje o Greenpeace sustenta estas caças e as chama de "tradicionais". Até que podem ser tradicionais, mas também são as mais antigas e cruéis e mais desnecessárias do mundo. Hoje o Greenpeace é uma organização de burocratas. O chefe do Greenpeace internacional é um contador cujo ativismo e especialidade é sair pelo mundo caçando dinheiro.
Além do Greenpeace, não acredita que existem muitas outras organizações conservacionistas ou verdes que terminam defendendo os países desenvolvidos contra os mais pobres, tal como sustentam alguns pesquisadores na questão dos alimentos transgenicos?
Paul - Não posso pensar que o Greenpeace esteja fazendo algo para deter a engenharia de modificação dos alimentos. Eles enviam muitos e-mails e tem feito algumas campanhas para a mídia, mas com uma boa investigação dentro da organização deixaria em evidência que eles não conseguiram nada, nenhum resultado.
Além da sua, que outras organizações está de acordo?
Paul - Tento apoiar os pequenos grupos comunitários e locais, essas pequenas organizações de gente comum que tem atividades concretas, ou indivíduos. De todos os modos, apoio Nature Conservancy, Rainforest Action Network, Earth Island Institute e outras que atualmente estão fazendo coisas. Geralmente me fixo quanto se paga aos cabeças das organizações e quanto dinheiro vai para a organização em comparação com as campanhas. Fui a "cabeça" do SSI por 25 anos e fui voluntário durante todo este tempo. Nunca me pagaram e isto me dá credibilidade para ser critico das organizações que pagam aos seus executivos salários que excedem os 100 ou 200 mil dólares por ano.
Não acredita que no fim das contas, muitas ONGs ou fundações são utilizadas pelas empresas multinacionais mais importantes para lavar sua imagem através do dinheiro que dão para elas?
Paul - Absolutamente. A World Wide Fund (WWF) é o exemplo mais claro de prostituição. São capazes de agarrar "trompadas" só para colocar seu logo sobre o logo das grandes corporações. Greenpeace não é tão mal neste sentido.
Não há dúvida que muitas organizações possuem boas intenções, mas na maioria dos casos não vão ao centro da questão porque não criticam o sistema, o verdadeiro culpado do que está ocorrendo. Não é mesmo?
Paul - Sim, e um exemplo é Jacques Cousteau, que estava sempre dizendo "eles estão fazendo isto ou aquilo", mas nunca identificava que eram eles. Este é um problema da maioria das organizações: tem medo de apontar com o dedo o verdadeiro responsável. Eu sou um conservacionista. Isto quer dizer que eu quero conservar e por isso me acusam de ser radical. Os extremistas estão destruindo os oceanos e nossa Terra. Para ser um ativista efetivo da conservação temos que entender que nem sempre vamos obter o apoio popular. Isto para dizer algumas coisas que as pessoas não querem ouvir e para fazer coisas que as pessoas não gostam. Em poucas palavras, as pessoas são o problema e meu trabalho é acordar essas pessoas, fazê-las pensar, confrontar com elas, falar-lhes coisas na cara e intervir para deter a destruição.
Fonte: CMI Brasil - Centro de Mídia Independente





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