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Adriana

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http://vermelhopitanga.blogspot.com/

 

Assisti ao filme “P.S.: Eu te amo” e fiquei estranhamente pensativa horas após o filme...

Estranhamente sim. Pensei que se tratasse de uma história melosa, de um filminho água com açúcar, de romace exacerbado com uma pitada de humor - e só.
Mas, estranhamente (e incrivelmente), o filme me fez pensar (mesmo).

Pensei e repensei no motivo pelo qual algumas pessoas “vão embora” tão cedo e deixam outras aqui sem saber o que fazer (como fazer e quando fazer). Deixam pessoas aqui tentando descobrir o que é certo e o que é errado, e em que momento as coisas devem ir acontecendo.

Pensei em uma amiga que me contou que a irmã perguntou a ela, um dia após a morte do pai, “o que se faz um dia depois que o pai da gente morre?”.

Pensei no quanto é chato não ter a casa que se quer, o trabalho que se deseja, com o salário que pretende. Mas o quanto é pior ter alguém por perto e daqui a pouco não ter mais, para nunca mais.
Pensei no quão estranho é sentir a falta de alguém que não existe mais...como se nunca tivesse existido. Como é difícil não ter a matéria. Pensei em porque algumas pessoas são levadas sem explicação, sem causa aparente, sem terem realizado o que estavam alegremente planejando para o fim de semana. Pensei em coisas que não quero escrever aqui...
Parei um pouco e pensei na importância dos provérbios ditos pela avó, na prudência podada de um amigo, na provocação de um sinal que não verei mais. Lembrei de um sítio. Pensei na proximidade e no próximo. Pensei nas próximas vezes que verei um alguém (não sei quem).
Sem querer, pensei no que é incurável e em providências intomáveis. Pensei em coisas que sei e que não poderei mudar.
Pensei até na importância de se dar uma dolorosa "canelada" no canto da cama e, depois, rir da dor, da canela roxa, da cama e de tudo que houver na cena. Na importância de se ter alguém que toque uma música no violão - só para alegrar o dia. Pensei em quanto é chato ter que fazer janta (e lavar a louça), mas o quanto é bom sentir o cheiro da comida quentinha e ver " a gula" se manifestando em carinhas famintas. É pecado?
Pensei em como é bom chegar em casa, tomar banho, colocar uma roupa limpa e comer arroz, feijão e bife. Chegar e pisar no tapete vermelho do lar-doce-lar.
Me lembrei que jamais pintei meias (como uma idéia que surgiu no decorrer do filme), mas que já colori chuveiros com esmalte (não façam isso em casa). Nunca desenhei sapatos, mas já rabisquei amigos e amigas em folhas de rascunho.
Também lembrei da surra de "Ryder" (chinelo maldito) que levei, quando transformei a pia do banheiro em rio, uma folha em navio e uma formiga-malvada-e-ardedeira em gente. Lembrei da picada que ela me deu, da alergia, do inchaço, da surra e da infância.
Lembrei dos castelinhos de areia que fiz com pás coloridas e das trouxinhas de alface recheada com comida que meu pai fazia para me ensinar a comer verduras. Lembrei das broncas de minha mãe quando meu caderninho apareceu com "orelhas"...e da minha explicação dizendo que não fora eu quem fizera. Lembrei da coleguinha que fez - e de como desfez. Fui até ela (decidida aos 6 anos de idade) e disse "pois resolva". Em 5 minutos ela devolveu meu caderno de "tema", sem dobras...cortadas à tesoura. Lembro que chorei, briguei e fiquei de mal uma semana inteira.
Lembrei que adorava escrever nas paredes. E que minha mãe não...
Olhei o filme e pensei mais em quem caminha (e já caminhou) do meu ladinho.
Cheguei a pensar nas madrugadas, na utilidade delas...alguma sugestão?
Tentei não pensar no fim do mundo, no fim de festa, no fim de carreira, no fim da hitória, no fim. Tentei deixar de lado a busca pelos finais de semana. Afinal, andam dizendo por aí que o que há de melhor acontece de segunda a sexta. E hoje é quinta.

Pensei que, para quem gosta de mim, pouco importa se estou escrevendo essas divagações de chinelo e meias e sem vontade de pentear os cabelos.
Beijos Doces,
Pitanga.

 

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